A Pedra, poesia de Fabrício Manca

Fabrício Manca em foto de arquivo do jornal Leopoldinense
Fabrício Manca em foto de arquivo do jornal Leopoldinense

O leopoldinense Fabrício Manca foi a Belo Horizonte defender sua poesia A Pedra, na finalíssima do 4º Concurso Sesi de Literatura, dia 5 de agosto de 2017. A obra foi selecionada, por membros da Academia Mineira de Letras, como uma das finalistas entre as 625 inscritas, de 92 municípios mineiros. 
Fabrício Manca, o representante de Leopoldina neste importante concurso literário!


A pedra


(Fabrício Manca)



A pedra que acertaste em minha testa

É tão fria quanto tua mão que a molesta

Tão rígida quanto seu coração sombrio

Na noite que juraste ferir-me por amor

Restou-me apenas espinhos de uma flor

Que morrera de tristeza, câncer e frio


Perdi o caminho de casa naquela noite triste

Vi as desgraças reunidas, mas tu, tu não viste

Testemunhei a queda humilhante dos vitrais

Vi a agonia divertir-se enquanto esquartejava

Minha alma, tu não vira, a essa hora já estava

Recolhendo os cacos da dor que me ardia mais


Meu coração, assim como fígado de Prometeu

Regenerou-se tão rápido quanto você o comeu

Para que no dia seguinte voltasse a devorá-lo

E assim, dia a dia, o meu sofrimento eterno ia, ia…

E quanto maior meu coração, mais você o comia

Eternizando assim a agonia de não poder pará-lo


Eu era um desgraçado esmolando flor no paraíso

Oferecendo a eternidade em troca do seu sorriso

Ao som sarcástico das gargalhadas dos cupidos

Que no submundo do Éden, traficavam os amores

Arrancando a alma e a dignidade desses senhores

Em troca de todos os valores não correspondidos


E assim, no nível mais inferior da minha loucura

Eu observava tua cria porca com tamanha paúra

Que em meio a tantas quimeras e abstrações

Era ela, a fera mais desorientada, rústica e louca

Que carregava no vermelho quente da sua boca

O sangue fresco de todos os sôfregos corações


Como Atlas que carregava o peso do firmamento

Sobre minhas costas eu tinha todo o sofrimento

Dos bilhões de amores perdidos naquele segundo

Eu gemia só, aquela dor, com tamanha intensidade

Que tal era o peso do desespero da humanidade

Era assim, sobre minhas costas, o peso do mundo


Era a voz da alma que me esgoelava toda tristeza

E na afasia desesperadora da minha língua presa

Eu ruminava restos podres de poesias esquecidas

Eu era como o beato que se entrega ao ateísmo

O Poeta desacreditado que se joga nesse abismo

Onde jazem todas as inspirações desaparecidas


Não, não me negaram flores no dia seguinte

Não me era o Natal, era-me sim, por conseguinte

O dia derradeiro em que hoje comemoro a morte

O dia em que os monstros me comeram a psique

Com a beleza de quem monta um piquenique

Para devorar o fraco que se mostrar mais forte


E foi de manhã, numa súbita crise de sanidade

Que me vi dominar o amor com tanta habilidade

Que ele me parecia no colo, um filhote vulnerável

E antes que crescesse e me devorasse por inteiro

Fiz com que gritasse e se escondesse no bueiro

Onde esconde todo sentimento hostil e miserável


A pedra ainda ardia minha testa quando adormeci

E durante o sono, em um pesadelo, foi que eu vi

Que amar tanto assim, é que me foi o maior erro

Eu acordei na mais completa e absoluta solidão

E descobri sob os escombros do meu coração

Que o amor morreu e eu não fui ao seu enterro

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Imagina como seria

No último dia 4 de agosto, na cerimônia de posse de Cláudio Guerson, o novo acadêmico da ALLA, e da outorga do título de Sócia Honorária a Francis Paulina, a acadêmica Zezé Salles declamou este belo poema.


Imagina como seria
de Fábio Brazza

Imagina como seria
O nosso querido Brasil
Se na matéria estudantil
Se incluisse a poesia
Se nosso prato do dia
Fosse o verso dum poeta
Uma dieta seleta
Pra deixar a mente sadia
De Antonio Gonçalves Dias
A poesia concreta

E que tivesse na merenda
Um poema por semana
Bastante Maria Quintana
Pra que a molecada aprenda
Com graça e curiosidade
O quanto aprender é bom
De Chico, Vinicius, Tom
A Carlos Drumond de Andrade
E que na hora do Recreio
Entre vivas e salves
A criançada em anseio
Clamasse por Castro Alves

Imagina como seria
Se ao invés de celulares
Nossos jovens se distraissem
Lendo livros aos milhares
Seriam suas mentes mais lúdicas
Imagina se as escolas públicas
fossem iguais as particulares
Se Augusto de Campos e Sergio Vaz
Fossem nossos artistas populares

Hoje em dia as músicas são tão pobres
Não consigo ver nenhuma vantagem
Numa letra sem vida
Totalmente desprovida
de qualquer mensagem

Se a gente é o que ouve
Se a gente é o que lê
Agora dá pra entender
Com nossos jovens o que houve
Mas imagina se ao invés
de ostentação e pornografia
Eles recitassem cordéis
e ostentassem poesia
se eles lessem Gabriel Garcia
Mario Vargas Lhoza
escutassem Mercedes Sosa e Paco de Lucia
Se soubessem que foi Vicente Huidobro
Talvez aprendessem o dobro
Do que aprendem hoje em dia

Mas é que sabotaram
a educação brasileira
É perda de tempo ouvir hip hop
o que não dá ibope é besteira
A Midia nos entope
com o lixo do pop
e não com Manoel Bandeira
A Mídia nos dopa
Com novela e copa
e o povo feito tropa
caminha alienado
mas este caminhar restrito
não é o mesmo descrito
por Antonio Machado
Aliás quem sabe quem foi
Antonio Machado?
Não te culpo se não sabia
eu também não saberia
se não tivessem me contado.

Eu sei que este mundo que eu tenho imaginado
Não passa de uma utopia
Mas no meu ponto de vista
acredito que ele exista
pois tudo existe aonde existe poesia
por isso faço a minha parte
Pra disseminar sabedoria
Pra que ao menos a nossa arte
Não se transforme em mercadoria
Cada verso é um resgate
Em nome da poesia
Pra que essa sociedade vazia
Pouco a pouco não lhe mate.

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Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos

Na última quarta-feira, dia 25/07/2017, a Secretaria Municipal de Cultura de Leopoldina publicou o edital do 26º Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos. 
Nesta edição, a comissão organizadora será composta exclusivamente por membros da Secretaria Municipal de Cultura de Leopoldina. Portanto, para esclarecer qualquer dúvida a respeito do concurso o candidato deverá entrar em contato através dos e-mails e telefones que constam no edital. 
Atenção: é importante a leitura completa do Edital antes de fazer a inscrição.
Principais informações:
· Acessar edital completo neste endereço
· Período de inscrição: de 07 de agosto de 2017 (a partir das 8 horas) ao dia 01 de setembro de 2017 (até 18 horas);
· Preencher a Ficha de Inscrição online e a Ficha de Inscrição anexa ao edital com as mesmas informações;
· A Ficha de Inscrição e as 5 vias da poesia deverão ser entregues diretamente no Museu Espaço dos Anjos (endereço no Edital), ou enviadas via correio, sempre dentro do período de inscrição;
· Divulgação das 20 poesias finalistas: 30 de outubro de 2017;
· Cerimônia de premiação: 10 de novembro de 2017.

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Capitães da Areia, o filme

Uma das obras do nosso próximo Círculo de Leitura, este livro de Jorge Amado é aqui apresentado pelo trailer do filme de 2011.



Os “Capitães da Areia” – Pedro Bala, Professor, Gato, Sem-Pernas, Boa Vida e Dora são personagens que Jorge Amado um dia criou para habitarem eternamente na memória de seus leitores. Abandonados por suas famílias, eles são obrigados a lutar para sobreviver pelas ruas de Salvador. Mais atual do que nunca, a história destes personagens imortais da literatura mundial nos emociona e inspira de forma profunda.


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Posse na Academia

No próximo dia 4 de agosto, no auditório da Câmara Municipal de Leopoldina, A ALLA realizará a cerimônia de posse do novo acadêmico Cláudio Guerson e a outorga dos títulos de Sócios Honorários a Francis Paulina e Joaquim Branco. Contamos com sua presença.

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Círculo de Leitura: Valter Hugo Mãe

A segunda obra a ser comentada no próximo Círculo de Leitura, dia 17 de agosto, será de Valter Hugo Mãe: O filho de mil homens.

O vídeo abaixo é do dia do lançamento no Brasil, 7/05/2012, pela Cosac Naify.

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Círculo de Leitura: agosto de 2017

A próxima reunião do Círculo de Leitura será no dia 17 de agosto, quando serão comentadas duas obras. Uma delas, de Jorge Amado, é Capitães da Areia, de 1937.

Segundo a Fundação Casa de Jorge Amado:

O tempo vai fechando de vez no país. É a ditadura do Estado Novo que se implanta. Recolhido na cidade de Estância, no interior de Sergipe, Jorge Amado começara a escrever um outro livro, terminando a sua redação já a bordo do navio Rakuyo Maru, em viagem para o México. É Capitães da areia.
Uma história dos meninos-de-rua da Bahia, na década de 30. Narrativa do amor de Dora e Pedro Bala. Peripécias do bando de menores que perambula perigosamente pelas ruas e pelo cais de Salvador, cidade “negra e religiosa”, onde se projeta a personalidade da ialorixá Aninha, mãe-de-santo do Ilê Axé Opô Afonjá. Dora morre, doente, no trapiche enluarado. Pedro Bala é preso, foge, mete-se em greves de estivadores, até que se converte em “militante proletário, o camarada Pedro Bala”. O problema é que o livro é publicado em 1937, logo em seguida à implantação do Estado Novo, regime violentamente anticomunista. Assim, a edição é apreendida – e exemplares do livro são queimados em praça pública, na Cidade da Bahia, por representantes da ditadura. Mas de nada adiantou. Quando pôde voltar à cena, Capitães da areia conquistou o grande público e é ainda hoje um dos maiores sucessos de Jorge Amado.

Se você já leu, venha conversar conosco e apresentar suas impressões. Se ainda não conhece, aceite nosso convite para ler e participar do nosso encontro dia 17 de agosto, no Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira.

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Notícia sobre as inscrições para o IV Concurso Literário

Em fevereiro de 2017, a Academia Leopoldinense de Letras e Artes publicou o regulamento de seu IV Concurso Literário. A partir de então, ficamos sempre na expectativa, pois lançar um Concurso Literário é sempre um desafio para todos nós. Muitas incertezas pairam. Será que teremos candidatos? Como será a recepção nas escolas? Será que os professores incentivarão seus alunos? Será que os alunos se interessarão em participar de um concurso nestes tempos de tanta distração promovida pelas mídias?

Mas, apesar das apreensões, ficamos sempre na esperança de termos público para a empreitada. A cada edição, procuramos aperfeiçoar o regulamento para que seja sempre mais claro e abrangente e, também, esclareça as dúvidas do ano anterior. A cada edição, estamos, como costumamos dizer, “fazendo um trabalho de formiguinha” e vamos conquistando nosso público. 

Nesta edição, ampliamos as categorias das inscrições que foram direcionadas para: Poesia, Cartum/Charge, Conto, Resenha, Crônica e Relato de Experiência. Essa última direcionada para um público muito específico: os professores. Foi uma tentativa de homenagear aqueles que se destacam em suas práticas pedagógicas e promovem uma reflexão sobre a profissão.

Enfim, após o término do período de inscrições, tivemos um saldo muito positivo. Foram 256 obras inscritas, sendo: 205 autores de 35 cidades, 19 escolas e 21 professores envolvidos.

Um dado que não podemos deixar de comentar é a participação dos escritores/estudantes do município de Leopoldina: 98 da cidade, 28 de Tebas, 7 de Piacatuba e 3 de Providência. Recebemos também inscrições das vizinhas Cataguases – e de seu distrito Vista Alegre, Recreio e Muriaé. Um reflexo de que nossa região está atenta às manifestações culturais e que a ALLA está conseguindo trilhar um caminho para despertar o autor adormecido dentro de muitos por aí.

Nosso Concurso Literário atraiu, ainda, inscrições de autores das mais diversas regiões do país: : Baependi/MG, Batatais/SP, Belém/PA, Blumenau/SC, Boituva/SP, Brumadinho/MG, Cabo Frio/RJ, Carmo/RJ, Coaraci/BA, Curitiba/PR, Itararé/SP, Ituverava/SP, Jacareí/SP, Jacarezinho/PR, Juiz de Fora/MG, Montes Claros/MG, Natal/RN, Ourinhos/SP, Porto Feliz/SP, Ribeirão Preto/SP, Rio de Janeiro/RJ, Santa Maria/RS, São Carlos/SP, São Paulo/SP, Taubaté/SP e Uberlândia/MG. É a ALLA levando o nome de Leopoldina para o Brasil.

Diante desse sucesso, só temos a agradecer a confiança em nós depositada.

Aproveitamos para lembrar aos inscritos que a seleção dos finalistas será divulgada dia 15 de agosto e a cerimônia de premiação acontecerá no dia 25 de agosto, no auditório do CEFET/MG, em Leopoldina.

Por
Glaucia Maria N Costa de Oliveira
Nilza Cantoni
Secretárias da ALLA

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